Essa sua mania de dizer te amo
quando estou comendo
me faz engasgar, tossir
te enganar
com uma resposta dada no reflexo
com muito cuidado para não dar no teto
da cozinha
Oh! Minha bunitinha
É só você...
que me faz esperar arrumado
a tal felicidade chegar
Uma piada sem graça e mal contada
Uma pessoa desavisada... Escrevo por não saber para onde correr... Corro quando não sei o que dizer...
segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Urca
Camilla me contou o sonho que teve com você. O terceiro nessa mesma semana. E como em todos os outros esse começou em casa, na cozinha, tomando um café e comendo uma larica qualquer. Como sempre fazíamos antes das tardes entrarem no laranja depressivo. Comíamos. E apesar de entre nós ser a mais calada, Camilla conta que nos sonhos você não parava. Contava as novidades, contava os pedaços de bolo que comia, contava os dias longe. Cinco, dez, catorze. Como quem explode de saudade, você tagarelava sobre como é não mais estar aqui. E você sabe como é. Sonho é sonho. Camilla pouco se lembra dos detalhes. De cada palavra. E eu me sinto injustiçado.
Até hoje você nunca veio me visitar. Nem uma única noite. Não fico aborrecido. Espero só que não tenha se esquecido. Me esquecido. Que eu mesmo já não lembro o que sonhei ontem, não lembro da última coisa que te disse. Foi sincera? Foi triste? O que não sai da cabeça é o que te diria agora. De alguma forma. Diria que o que mais dói é não ter mais a chance de finalmente te fazer feliz. Mesmo que seja em sonho. Mesmo que não diga. Te diria. E de inúmeras maldades qual me responderia? O silêncio sem um rosto, sim, é uma covardia. Não te vejo a ponto de esquecer seu rosto. Se não encontro teu olhar nem em foto. Nunca mais vi a cor dos seus olhos. Inúmeros instantâneos e você não olhava, você ignorava qualquer perpetuação do momento.
Camilla passa aqui vez ou outra. Somente quando arranja uma desculpa que julgue ser razoável. Acho que sem você aqui se sente desconfortável. Soube que se mudou do antigo apartamento, foi morar sozinha na urca, como sempre desejou. Fui contra por egoísmo. Não queria me desfazer de suas coisas, do seu quarto. Foi tudo empacotado para a casa de sua mãe.
A minha manda lembraças. Ela até chorou quando ouvi a notícia, escondida, mas eu vi. E quem não teve esse lamento? Mesmo que por um momento. Pois, no dia seguinte o mundo voltou a rodar. Os juros voltaram a acumular. O preço do cigarro você não iria acreditar. O dia em que você se foi já anoiteceu. E a essas horas o vício começa a apertar. Seu cheiro na sala. Seu espaço do sofá. Na penumbra fica difícil de enxergar até o que mudou. Se tudo está no mesmo lugar. No teto ainda plana seu último sonho. No mesmo lugar.
Fica aqui o convite para me acompanhar até dar a hora de ir trabalhar. Que já não me aguento mais cansado depois de acordar.
Até hoje você nunca veio me visitar. Nem uma única noite. Não fico aborrecido. Espero só que não tenha se esquecido. Me esquecido. Que eu mesmo já não lembro o que sonhei ontem, não lembro da última coisa que te disse. Foi sincera? Foi triste? O que não sai da cabeça é o que te diria agora. De alguma forma. Diria que o que mais dói é não ter mais a chance de finalmente te fazer feliz. Mesmo que seja em sonho. Mesmo que não diga. Te diria. E de inúmeras maldades qual me responderia? O silêncio sem um rosto, sim, é uma covardia. Não te vejo a ponto de esquecer seu rosto. Se não encontro teu olhar nem em foto. Nunca mais vi a cor dos seus olhos. Inúmeros instantâneos e você não olhava, você ignorava qualquer perpetuação do momento.
Camilla passa aqui vez ou outra. Somente quando arranja uma desculpa que julgue ser razoável. Acho que sem você aqui se sente desconfortável. Soube que se mudou do antigo apartamento, foi morar sozinha na urca, como sempre desejou. Fui contra por egoísmo. Não queria me desfazer de suas coisas, do seu quarto. Foi tudo empacotado para a casa de sua mãe.
A minha manda lembraças. Ela até chorou quando ouvi a notícia, escondida, mas eu vi. E quem não teve esse lamento? Mesmo que por um momento. Pois, no dia seguinte o mundo voltou a rodar. Os juros voltaram a acumular. O preço do cigarro você não iria acreditar. O dia em que você se foi já anoiteceu. E a essas horas o vício começa a apertar. Seu cheiro na sala. Seu espaço do sofá. Na penumbra fica difícil de enxergar até o que mudou. Se tudo está no mesmo lugar. No teto ainda plana seu último sonho. No mesmo lugar.
Fica aqui o convite para me acompanhar até dar a hora de ir trabalhar. Que já não me aguento mais cansado depois de acordar.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Ipanema
Afinal o que ela queria? Conseguia sorrir sem entregar uma dica. E eu a queria em minha cama, sem todo esse drama. Nua, gemendo em minha cama. Mas não havia um ponto. Não havia um plano. Apesar de ser errado ela vinha a toda minha tentativa. Se fazia um esforço e a agenda batia. Logo estávamos lá nos exibindo. Sem pensar no que diriam do nosso jeito de dançar. De olhos fechados. Esfregando no chão o pecado. Ela parecia não ter vindo. Ipanema é do tamanho de se ficar perdido. E pelas ruas do bairro nossa vontade se espalhava. O romance apenas engatinhava. E eu contraditório desgostava.
Ela parecia não se importar, dançava, dançava, mas conversava em tom preocupada. Aonde queremos chegar? Num quarto, um passo, uma partida. E mais uma vez ela sorria sem ir a lugar algum. E mais uma vez me prometia que esse era o fim das tentativas.
Ela parecia não se importar, dançava, dançava, mas conversava em tom preocupada. Aonde queremos chegar? Num quarto, um passo, uma partida. E mais uma vez ela sorria sem ir a lugar algum. E mais uma vez me prometia que esse era o fim das tentativas.
domingo, 22 de abril de 2012
Copacabana
Eu escatarraria nessa sua boca se ainda me desse ao trabalho. Eu ainda te comeria com força, contra a sua vontade, se soubesse onde está. Amor, já não és mais tu que se veste correndo, busca o jornal e esfrega a cara de sono em mais um dia normal. Já não é mais certo te ver pela janela. Linda, enquadrada, passando de foco. Já não é tão pecador ser eu. E que tédio isso tudo dá.
De calcinha subiu as escadas. De porre dançou até apagar. De esnobe ficou cinco dias sem se mostrar. Deitado com a cabeça pra fora do sofá estou, prestes a te odiar. Mas que merda! como pude deixar que me ocupasse assim, horas sagradas do meu dia, agendadas espaçadas só para ti. Sentar e observar. Todos os dias. Amor, caímos na rotina. Seus horários de cigarro na varanda, seus estudos na cama, seus sonos nua. E sem você aqui pra dormir antes de mim o tédio não teve mais fim.
Se a essa distância eu já sabia, sabia com toda certeza que você pode me dar, que você é a mulher da minha vida. Imagina o desejo, imagina. Te carregando no colo desda cozinha. Fechando a cortina, para te ver de olhos fechados. E fode, fode, foge. Com um qualquer sem nome. Me deixa pra morrer de fome. Abandonado num apartamento com vista para a solidão...
Eu engoliria sua escarrada se essa boca me beijasse.
sábado, 21 de abril de 2012
Lapa
Essa sua cara de quem vai descer na lapa não me engana. Vestida pra matar com o rostinho inclinado para o vento da janela não me engana. Não me parece estar indo para algum lugar. Me parece estar indo a alguém. Não paga taxi, não mede esforços para aguentar o balanço da condução rumo a um norte. A zona. Porém, certeza. Dos bares ela não passa. Quando cruzar os arcos ela vai saltar, acordando a todos com o choque do salto com o piso metálico. Vai, vai, vai me abandonar aqui sozinho. Em pleno sábado deprimido. Há lugares melhores para se ir. E não parar. Não se enganar. Essa sua cara não me engana. Sei que engole as dores como um trago e passa o batom para sorrir. Sei que disfarça as olheiras com base, se aquece com um chandon. Sai do camarim já embriagada. Vai pra rua dançar, fingir, gargalhar. Não obrigado. Pra quem já desceu na lapa dá pra saber, dá pra prever, dá pena dela. Pois a vida segue. E o ponto final desse ônibus é bem depois...
Você não vai a lugar algum com essa saia. Trate de ficar e não se levantar. Não vale a pena deixar o tempo passar desperdiçando amor numa mesa de bar. Isso tudo é preguiça de ir mais longe? Presa de sentir alguma emoção? Fica, calma, e me explica que ideia foi essa de matar a sede com saliva. Fingida. Deixa disso e mirra. Se ficar te levo daqui.
Você não vai a lugar algum com essa saia. Trate de ficar e não se levantar. Não vale a pena deixar o tempo passar desperdiçando amor numa mesa de bar. Isso tudo é preguiça de ir mais longe? Presa de sentir alguma emoção? Fica, calma, e me explica que ideia foi essa de matar a sede com saliva. Fingida. Deixa disso e mirra. Se ficar te levo daqui.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Abra as pernas, abra o mundo com uma fenda feita gota a gota.
Ame a ele, mate a vontade de mim. Feito gota a gota.
E a cada gole que cê dá da cerveja quente algo fica mais cansativo.
"Vamos sentar?" - "Vamos ali no sofá?"
E a cada gole que eu dou da cerveja quente algo fica mais perigoso.
Afinal, o que quer de mim?
Que expectativa é essa que cria com o passar dos dias?
Esperava que fosse tudo que queria? Ou é só pra doer mesmo?
Aliviar aquele sofrimento de quem não sabe amar, sabe?
Sentada,
Somos dois aborrecidos com tantas demandas.
Somos dois. Além dos outros dois.
Que não querem nem saber.
De mim. De você.
E de todo o resto.
Ame a ele, mate a vontade de mim. Feito gota a gota.
E a cada gole que cê dá da cerveja quente algo fica mais cansativo.
"Vamos sentar?" - "Vamos ali no sofá?"
E a cada gole que eu dou da cerveja quente algo fica mais perigoso.
Afinal, o que quer de mim?
Que expectativa é essa que cria com o passar dos dias?
Esperava que fosse tudo que queria? Ou é só pra doer mesmo?
Aliviar aquele sofrimento de quem não sabe amar, sabe?
Sentada,
Me fita com o olhar sem dizer uma palavra
Não entende metade das vontades apresentadas.
Por isso o medo.
Estragando toda a solidão.
Somos dois perdidos nas contas da comanda.Somos dois aborrecidos com tantas demandas.
Somos dois. Além dos outros dois.
Que não querem nem saber.
De mim. De você.
E de todo o resto.
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